18/04/2022

Mercado volta da Páscoa com atenção em economia da China, alta da Selic e risco fiscal

As negociações são retomadas em diferentes bolsas globais nesta segunda-feira (18), incluindo a brasileira, após a Páscoa. Contudo, os mercados da Europa continuam fechados hoje. Além disso, a semana dos investidores do Brasil é curta. A B3 não funcionará na quinta-feira (21), devido ao feriado de Tiradentes.

A semana começou com a China divulgando que o seu Produto Interno Bruto (PIB), o principal indicador de crescimento da economia, aumentou 4,8% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano passado. A alta ficou acima da esperada, de 4,6%.

Entretanto, as bolsas asiáticas caíram depois dos dados. A elevação acima da expectativa ofusca as dificuldades que a segunda maior economia do mundo está enfrentando e o pior ainda está por vir, avaliam economistas. A economia da China está sendo impactada pelo ressurgimento de casos de covid-19 no país e pelas incertezas do ambiente internacional. As atenções se concentram na guerra na Ucrânia, na inflação e na alta de juros.

Com esse pano de fundo, a semana é fraca de indicadores. Na quarta-feira (20), o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) apresenta o Livro Bege, considerado o resumo das condições da economia dos EUA, que vive uma alta de juros em meio ao forte aumento da inflação.

Na quinta, a Eurostat divulga a inflação ao consumidor da zona do euro de março. E, por fim, na sexta-feira (22), a IHS Markit expõe os índices da indústria e dos serviços dos Estados Unidos e da zona do euro, chamados de PMIs.

No Brasil, a atenção dos investidores ainda está na alta da Selic e no risco fiscal, que voltou ao radar após o governo Bolsonaro indicar, na semana passada, que a partir de julho todo o funcionalismo público será agraciado com um reajuste salarial de 5%.

A economista-chefe do J.P. Morgan no Brasil, Cassiana Fernandez, afirmou ao Valor que uma Selic em 14% ao ano não é o mais provável, mas não é impensável. Ela avalia que, se o Banco Central estiver disposto a devolver a inflação ao centro da meta em 2023, de 3,25%, será preciso elevar a taxa básica de juros acima de 13,25%.

Nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fala em um painel do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os investidores estarão atentos a sinalizações sobre o plano de voo para a alta de juros, após a inflação de março ter engatilhado suas declarações de possível reavaliação do cenário.